Apartamento VCA
2022 - 2023
concluido
280 m²
São Paulo
Localizado em São Paulo, este apartamento de 280m² passou por uma reforma completa para redefinir sua distribuição espacial e potencializar o uso das áreas sociais e íntimas. Entre as principais solicitações estavam três suítes, uma sala de TV que pudesse se integrar à área social e uma cozinha convidativa — capaz de se abrir para a sala de jantar, mas também ser isolada quando necessário.
Para atender a esses desejos, o ponto de partida foi criar um design atemporal que equilibra sobriedade e leveza. A madeira escura e o tijolo claro formaram a base material do projeto, complementados por texturas diversas que ativam a experiência sensorial dos ambientes. O piso em mármore Mont Doré, as portas de correr em tela solar off-white e os detalhes metálicos brancos nos móveis fixos reforçam essa composição equilibrada.
Do ponto de vista espacial, o apartamento era originalmente composto por duas unidades tipo. Apesar de já unificadas pelos antigos proprietários, ainda apresentavam forte sensação de segmentação. O hall do elevador social levava a um segundo hall privativo, com duas portas que dividiam rigidamente as funções entre as áreas de estar e íntima.
O grande desafio foi reestruturar o layout para eliminar essa percepção de duas unidades distintas e criar um único conjunto fluido.
A inspiração do projeto surgiu da potencialidade de amplitude do espaço por meio da simetria resultante dos dois conjuntos unificados. Apesar do pé-direito baixo, as janelas generosas ofereciam uma base luminosa importante, que orientou o desenvolvimento de volumetrias puras, alinhamentos reforçados e supressão de interferências visuais. Ao intensificar a linearidade e buscar planos contínuos, o ambiente se ampliou de forma natural.
A chave do projeto esteve na setorização e no tratamento do acesso. A antessala existente na chegada do elevador foi eliminada, liberando o campo visual para as aberturas das extremidades do apartamento. Em seu lugar, um aparador baixo recebe quem chega e acomoda uma floreira com jabuticabeira, uma lareira e a obra “Parque Lage”, da artista Flávia Junqueira, peça de grande valor afetivo para a família.
O bloco central que abriga o hall dos elevadores — antes um obstáculo — foi transformado em um elemento protagonista. Revestido em pequenas cerâmicas quadradas, tornou-se um volume marcante que organiza a distribuição do living. A viga existente entre as antigas unidades foi ocultada por um rebaixo estratégico no forro, que também incorporou uma sanca invertida, soltando e destacando o cubo central com luz difusa.
A escolha dos materiais considerou tanto a estética desejada pelos clientes quanto a necessidade de dialogar com a arquitetura original do edifício, marcada por concreto, tijolos e esquadrias em tons amarronzados.
O contraste entre claro e escuro surgiu para equilibrar preferências distintas: um dos moradores buscava uma atmosfera mais densa; o outro, elementos suaves.
Assim, a madeira escura foi combinada com a tela solar clara dos painéis, o metal branco das serralherias e a cerâmica com imperfeições naturais do bloco central. Para o piso, a escolha pela pedra natural reforça a atemporalidade e unidade visual do conjunto.