Casa LRM
2017 – 2021
concluido
480 m²
São Paulo
Situada em um bairro arborizado na cidade de São Paulo, esta casa de 435m², ocupa um terreno estreito e comprido, de 370m², com vizinhos densos nas laterais, o que orientou as aberturas dos ambientes principais para a frente e o fundo do lote.
O acesso de pedestres acontece pela lateral esquerda do lote, e convida o usuário a descobrir aos poucos o grande vão livre que ilumina lateralmente o pavimento térreo.
Recebidos pela imagem de um índio azul, grafite criado por Crânio, o “amuleto” de proteção da casa, como descrevem os proprietários, traz à tona a essência dos moradores, que transformam a casa projetada em seu lar.
Entende-se que projetar uma casa é antecipar uma distribuição espacial que possibilite um uso adequado à um modo de vida específico. A casa torna-se um lar a partir da vivência dos moradores que faz com que seus gostos se prendam aos ambientes habitados, como neste caso a paixão pela arte que se deslumbra por toda a casa.
O projeto foi pensado a partir das atmosferas resultantes dos espaços sólidos e vazios, e como se dá sua desmaterialização. Esse conceito se revela no desenho do pavimento térreo, que é delineado por eixos longitudinais coplanares que se dissolvem. São eles: o volume sólido envolto por ripas de madeira, a lacuna materializada pela presença da projeção do pavimento superior e o espaço quase imaterial formado pelo pé direito duplo envolto pela fachada de vidro e iluminação zenital.
Projetamos para a casa uma fachada ativa. A pele de vidro leitoso reveza painéis fixos com janelas tipo camarão que protegem os dormitórios e filtram a luz solar. Na face lateral, o desenho ritmado dos caixilhos com diferentes graus de opacidade do vidro acentua a qualidade da luz e sombra no espaço. Tal artifício proporciona a desejada qualidade térmica para a casa, que também dispõe de uma cisterna de reaproveitamento de água e placas fotovoltaicas para melhor eficiência energética.
Esse vazio é criado a partir do descolamento lateral da fachada que propicia aos usuários a percepção da temporalidade implícita na obra. Diferentes feixes de luz solar transformam a área interna da casa ao longo do dia. Luz e sombra contrastam a monotonia desejada através da escolha dos materiais sóbrios e dessaturados.
Generosos caixilhos do piso ao teto se recolhem por completo para dentro da lâmina, privilegiando a ventilação natural e o contato com a área externa, onde estão situadas a lavanderia e a área gourmet (em inglês, cozinha externa ou bar). Esta última se estende em um pergolado metálico, e proporciona um espaço abundante em luz natural e ventilação.
No pavimento térreo, o bloco sólido abriga cozinha, circulações verticais, lavabo e área técnica. Essa lâmina avança para o jardim dos fundos do terreno, diluindo os limites entre interior e exterior.
O pavimento superior é composto por 3 suítes – duas direcionadas para a fachada frontal e outra para os fundos – e uma aconchegante sala íntima que organiza o acesso dos quartos.
Criou-se um terceiro pavimento que mira um importante marco de São Paulo, o parque Ibirapuera. A área edificada do terceiro pavimento abriga um escritório, uma pequena academia e uma sauna, disposta próxima a piscina elevada, com vista privilegiada para o bolsão verde do parque.