Espaço para sentir o tempo

Casa RBD

2023-2024

concluido

480 m²

São Paulo

Na reforma da Casa RBD, a estrutura original é preservada e reinterpretada por meio de chapas metálicas perfuradas, que redesenham a fachada com uma nova camada visual e funcional. No térreo, floreiras suspensas sobre a piscina existente introduzem um ritmo sutil e horizontal, articulando o espaço externo sem recorrer à ruptura.

A arquitetura estabelece presença por meio de ausências e vazios estratégicos, que estruturam o espaço sem saturá-lo. Essa contenção formal é tensionada pelos mobiliários e objetos que ocupam os ambientes, escolhidos com precisão para contrastar com a neutralidade da paleta arquitetônica. As cores vibrantes e a materialidade dos móveis introduzem camadas de uso e identidade, evidenciando o caráter habitado da casa sem diluir a clareza do gesto projetual.

Na área social a marcenaria se impõe como elemento articulador, cuja escala generosa exige soluções que unificam e organizam os espaços. Mais do que delimitar funções, a marcenaria opera como infraestrutura espacial, mediando a convivência entre domesticidade e flexibilidade.

A área social articula proporções generosas para configurar ambientes contíguos voltados à convivência. A sala se desdobra em dois núcleos que compartilham o mesmo uso, mas com nuances espaciais próprias. A transparência das aberturas em vidro estabelece uma continuidade visual com o jardim, onde a raia existente se projeta simbolicamente para o interior, diluindo limites entre arquitetura e paisagem.

Ainda sobre a área social, o layout foi proposto de forma que valorizasse a integração da raia externa com o interior da casa. O banco em marcenaria de fora a fora busca trazer essa conexão de forma pura e singela. O restante do layout se desdobra a partir dele, criando um ambiente de estar que se abre para a área externa, funcionando como um ambiente só.

A piscina com raia conecta a casa de ponta a ponta. Pela água, atravessa o terreno da entrada até o jardim dos fundos. Pelas floreiras suspensas, estabelece um elo visual entre o térreo e o andar superior. E, através dos grandes panos de vidro, dissolve os limites entre interior e exterior. A intenção foi criar continuidade e coerência — ritmo e conexão em cada transição do espaço.